My sounds

quarta-feira, 8 de outubro de 2014



Viva intensamente

"Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos no dia em que fazemos. Nós dias em que não fazemos, apenas duramos."
Sim, lembro-me como se fosse hoje do dia em que li esta citação do Padre Antônio Vieira pela primeira vez. Foi num livro de poesias do, não menos importante, Dámario Dacruz, poeta baiano. Instântaneamente, a clarividência veio à tona e a sensação de estar lendo algo com que realmente me identificava me tomou por inteiro.
Viver é uma dádiva e temos de ser constantes e verdadeiros em tudo o que fazemos. Obviamente que o ditado meio clichê, de que não se é feliz sempre e sim em alguns momentos, acaba ressoando de quando em vez. Sinceramente, não gosto de citá-lo! Verdade até é, mas soa desmotivador e pessimista. O meu coração diz que o bom mesmo é acreditar, achar que tudo vai dar certo sim, ter fé, otimismo e coragem! Claro que as quedas virão, mas para os tropeços, procuro refletir no que, certa vez, disse Dostoievski :"Temo somente uma coisa, não ser digno do meu tormento." Pormenorizando, temos de ser merecedores de nossas angústias, pois, sabe aqueles dias em que "nem devíamos ter saído da cama", dias esses em que tudo dá errado? Pois bem, devemos tornar esses dias dignos para o nosso enriquecimento espiritual. Que a nossa maneira de encarar os revezes da vida se transforme e que nos tornemos cada vez mais maduros e cônscios do dom de existir.
Psiu, esses momentos também fazem parte do todo! A soma de dias bons e dias maus resulta em nossa existência, portanto vivamos. Amando-nos, respeitando-nos e agindo -sempre- de cabeça erguida às intempéries dos dias maus.
Pra finalizar, deixo pra vocês uma pérola de Sêneca que em seu Tratado: sobre a brevidade da vida citou: "Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro."
Por, Maurício Lima. 

domingo, 2 de março de 2014

Eu

Eu, ser uno, perdido na multiplicidade de minh'alma, apenas sigo, percorro e olho.
Cada dia sendo um.
Cada dia redescobrindo-me.
Cada dia, ecoando as milhares de vozes que habitam em mim.
Por, Maurício Lima.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Livre

Descalço, sem cadarços, solto...
Completamente disponível à novas possibilidades.
Caso a solidão vier, diz que já tenho companhia,
E estou deveras ocupado em articulações contra
Esse meu medo bobo de ser feliz.
Abri os olhos e fugi.
Fui bem recepcionado.
Aconchegante.

sábado, 18 de maio de 2013

Incompleto


Sou quase tudo que falam sobre mim,
todavia nem tudo que falam de mim é verdade.
Definir-me causa trabalho, muito trabalho.
Imensurabilidade de homem-balão,
fugacidade etérea do ser no espaço.
Mau de bom? Pule e descubra.

Avesso

E daí, que num sábado chuvoso, eu entro no seu mundo e vejo você.
Paradoxalmente, despido e misterioso.
Querendo tragar-me através dos acordes febris das marés de março.
Refletindo-me, encontrando-me e dizendo, quase de maneira gutural: "Eu existo e sou assim."
E, através do strip-tease da sua alma, abriu as portas, pegou em minha mão, e eu entrei.



Mergulhado em você

Você é um tsunami em mim.
Chega sem avisar, me molha todo,
e vai embora sem ao menos dizer adeus...
Confesso, sua onda me levou.
Pra uma ilha onde nos descobrimos.
E, mais uma vez, encharquei-me de ti.
Por entre as ondas do Atlântico mergulhei em você,
refletindo-me na pureza das suas águas.
Ousar mensurar-te? Não, isso eu não faria.
Pois sua grandeza é maior que os cinco oceanos.
Lava-me, embebeda-me, afoga-me em ti e,
por uma única vez, diz que a molhei também.